27 de agosto de 2008




tudo passa, uva passa, loira passa

23 de agosto de 2008


refazagem?

ou quase isso.

acima o sticker feito em 2003, que só vi hoje.
abaixo meu texto para o vídeo em 2006.

17 de agosto de 2008

Para recitar lentamente. Discretamente de cabeça para-baixo











Eu não quero ficar nua para poder falar de questões femininas.
Eu não quero passar batom vermelho pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero me masturbar na sua frente pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero queimar sutiã pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser aceita pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Brigitte Bardot pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero disfarçar-me de homem pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero recorrer à história pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Marta Suplicy pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ir à cozinha pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ir às lojas Marisa pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero estar no banheiro pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero me casar com o Ronaldinho pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser uma revendedora AVON pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero morrer de anorexia pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser puta pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser dona da Daslú pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ter filhos pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser capa da Capricho, da Caras, da Criativa, da Boa Forma, da Playboy ou da Veja pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ir ao chá com bolachas pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero escrever um livro pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ter marca de biquíni pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero me chamar Maria pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Ofélia, Lolita ou Capitu pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero provar nada pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser uma gueixa pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ler a Crítica da Razão Pura pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Leila Diniz pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ter a água batendo na minha bunda pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero fazer um filme pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser genial pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Simone de Beauvoir pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero estar de lingerie rendada pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero cruzar e descruzar as pernas pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero chorar pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero gritar pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Anita Garibaldi ou Joana D’arc pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser feminista pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser machista pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser a Virgem Maria pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero namorar o Chico Buarque pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero dar pra todo mundo pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero cantar como Elis Regina pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero raspar os cabelos pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser minoria pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero transar só por amor pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ter sexto sentido pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero me descabelar pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero estar no museu pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Hebe Camargo pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser uma garota na feira do automóvel pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser engenheira pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser caminhoneira pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser a gordinha Dove pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser mãe solteira pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser feia mas estar na moda para poder falar de questões femininas.
Eu não quero ganhar o Big Brother pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser a Madonna pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Mata Hari pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero estar num conto de fadas pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Hilary Clinton pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser Margie Simpson pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero morar num puxadinho pra poder falar de questões femininas.
Eu não quero ser mais uma pra poder falar de questões femininas.



13 de agosto de 2008

Território: PALCO-INSTALAÇÃO

O palco instalado é uma re-apropriação, uma re-flexão sobre o espaço cênico e a produção da arte contemporânea no seu espaço de re-presentação. Uma re-ação à super produção de idéias, conceitos e objetos artísticos regidos pela regra do novo.


"não resta dúvida que esse culto do novo em poesia de vanguarda está ligado ao novo que a publicidade usa... novo Omo, novo Rinso... novo... novo... mais novo... novo pra que? ou o novo não precisa se justificar? novo é novo, e ta acabado? claro, existe uma preocupação com novidade em qualquer artista de verdade. com novidade, com originalidade, com voz própria. mas o novo custe o que custar me parece mito, uma alienação. alienação é uma coisa que subsiste depois que perdeu seu uso. sua finalidade. seu emprego social.
novo pra que? eis a questão."

(foi o Paulo Leminski que escreveu no dia 06 de novembro de 1978 em uma de suas cartas)

Estas fotos são da primeira vez que o palco se re-instalou.

*para ver ao som de the man i love e à luz do manifesto re prove postado neste blog.








PALCO-INSTALAÇÃO (2008)

Brasil

Pereira, Josefa

Cadeiras, público, recordações artísticas, objetos cênicos, manifesto, 26 versões de uma mesma música e fita adesiva branca sobre saguão.


Instruções de uso:


Você pode atuar como público direcionando-se à região designada para platéia ou então direcionar-se ao palco e reproduzir, relembrar e rememorar fragmentos cênicos já assistidos ou realizados por você. Evite o ato criativo, não coloque nada novo neste espaço, recrie, recicle e repita. Escolha a sua atuação, reocupe e represente.



USEMOS NOSSOS APARELHOS REPRODUTORES!


re ferências: sim, tudo isso que você lembrou não foi a toa.