22 de julho de 2009

Heiner Müller em Repertório


"Heiner Müller em Repertório"

Cia. Nova de Teatro celebra os 80 anos de Heiner Müller com apresentação de três das obras mais representativas do autor

Teatro
13 de agosto a 6 de setembro, 2009
Galeria Olido e Oficina Cultural Oswald de Andrade
Galeria Olido – Sala Paissandu
De 13 a 16 de agosto
Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h
Av. São João 473 - Centro
Ingressos: Gratuitos. Retirar com uma hora de antecedência
Lotação: 110 lugares
Tel: 3397-0170

Teatro Anexo da Oficina Cultural Oswald de Andrade
De 21 de agosto a 6 de setembro
Sexta, às 20h; sábado e domingo, às 18h
Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro (próximo ao metrô Tiradentes)
Ingressos: R$ 16 e R$ 8
Lotação: 50 lugares
Tels: 3221-5558 e 3222-2662


Heiner Müller em Repertório
reúne três textos do autor alemão: Medeamaterial, Hamletmaschine e Descrição de Imagem –este último com participação especial de Paulo César Pereio–, com trilha sonora de Wilson Sukorski. O espetáculo utiliza recursos cênicos mínimos e propõe a convergência de linguagens como o teatro, dança, vídeo, música eletrônica e moda para falar sobre temas como a mercantilização e as guerras. Quatro atores-bailarinos revezam-se nos personagens: Rosa Freitas, Rafael Tosta, Josefa Pereira e Melany Kern.

Medeamaterial (1982) condensa a tragédia de Eurípides em alguns diálogos curtos e um longo monólogo de Medéia, cuja tônica é a idéia da traição, uma traição múltipla: de Medéia a seu povo e a seu sangue (mata o irmão e lança seus pedaços ao mar, possibilitando a fuga de Jasão com o velocino de ouro); de Jasão (abandona a esposa estrangeira, bárbara, pela filha do rei de Corinto); dos filhos (choram ao ouvir os gritos de morte da princesa, trajada com a veste nupcial ofertada por Medéia).

Hamletmaschine (1977) é estruturada em cinco cenas que espelham, ao lado da tragédia de Hamlet, o nosso tempo: as catástrofes da história e da cultura ocidental e a crise do artista e intelectual, cindido entre o desejo de se transformar em uma máquina sem dor ou pensamentos e a necessidade de ser um historiador desse tempo irredimido.

Descrição de Imagem (1984) foi inspirada em um desenho de uma estudante de Sofia; ela não sabia desenhar bem, e as imperfeições deram lugar a espaços de criatividade – a imagem foi “coberta com escrita”, tornando-se mais abstrata. O texto não apresenta diálogo nem ação, mas um encontro dramático entre olhar e imagem. Assim, mais do que um texto auto-reflexivo sobre o teatro, Descrição de Imagem é uma reflexão sobre o theatron, o espaço do público-receptor.

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