"Heiner Müller em Repertório"
Cia. Nova de Teatro celebra os 80 anos de Heiner Müller com apresentação de três das obras mais representativas do autor
13 de agosto a 6 de setembro, 2009
Galeria Olido e Oficina Cultural Oswald de Andrade
De 13 a 16 de agosto
Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h
Av. São João 473 - Centro
Ingressos: Gratuitos. Retirar com uma hora de antecedência
Lotação: 110 lugares
Tel: 3397-0170
Teatro Anexo da Oficina Cultural Oswald de Andrade
De 21 de agosto a 6 de setembro
Sexta, às 20h; sábado e domingo, às 18h
Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro (próximo ao metrô Tiradentes)
Ingressos: R$ 16 e R$ 8
Lotação: 50 lugares
Tels: 3221-5558 e 3222-2662
Heiner Müller em Repertório reúne três textos do autor alemão: Medeamaterial, Hamletmaschine e Descrição de Imagem –este último com participação especial de Paulo César Pereio–, com trilha sonora de Wilson Sukorski. O espetáculo utiliza recursos cênicos mínimos e propõe a convergência de linguagens como o teatro, dança, vídeo, música eletrônica e moda para falar sobre temas como a mercantilização e as guerras. Quatro atores-bailarinos revezam-se nos personagens: Rosa Freitas, Rafael Tosta, Josefa Pereira e Melany Kern.
Medeamaterial (1982) condensa a tragédia de Eurípides em alguns diálogos curtos e um longo monólogo de Medéia, cuja tônica é a idéia da traição, uma traição múltipla: de Medéia a seu povo e a seu sangue (mata o irmão e lança seus pedaços ao mar, possibilitando a fuga de Jasão com o velocino de ouro); de Jasão (abandona a esposa estrangeira, bárbara, pela filha do rei de Corinto); dos filhos (choram ao ouvir os gritos de morte da princesa, trajada com a veste nupcial ofertada por Medéia).
Hamletmaschine (1977) é estruturada em cinco cenas que espelham, ao lado da tragédia de Hamlet, o nosso tempo: as catástrofes da história e da cultura ocidental e a crise do artista e intelectual, cindido entre o desejo de se transformar em uma máquina sem dor ou pensamentos e a necessidade de ser um historiador desse tempo irredimido.
Descrição de Imagem (1984) foi inspirada em um desenho de uma estudante de Sofia; ela não sabia desenhar bem, e as imperfeições deram lugar a espaços de criatividade – a imagem foi “coberta com escrita”, tornando-se mais abstrata. O texto não apresenta diálogo nem ação, mas um encontro dramático entre olhar e imagem. Assim, mais do que um texto auto-reflexivo sobre o teatro, Descrição de Imagem é uma reflexão sobre o theatron, o espaço do público-receptor.


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