28 de janeiro de 2008

"São Paulo vai dançar cada vez mais"


"Começa hoje a São Paulo Companhia de Dança.
Por que criar uma companhia de dança financiada pelo governo?
Dançar exige longo treinamento, talento, tenacidade, técnica, comprometimento. A dança exige a vida de quem se apaixona por ela. E, ingrata, abandona cedo os artistas que se dedicaram a ela.
Exige mais do que a juventude do artista - pede palco especial, iluminação, coreógrafos, cenário, músicos e muito trabalho. Sem apoio, a dança virtuosa, maravilhosa não consegue florescer".


(João Sayad, Secretário de Estado da Cultura)


Este trecho acima é o início do texto encontrado no folder explicativo de divulgação da nova companhia de dança subsidiada pelo Governo do Estado de São Paulo.


Na sede da Secretaria de Cultura, localizada no bairro da Luz como parte do plano revitalização do centro da cidade de São Paulo, às 11h e pelo menos 40 minutos de atraso, foi divulgado oficialmente por nosso governador do estado José Serra, e também pelo prefeito da cidade Gilberto Kassab e o secretário de estado da cultura João Sayad, bem como por sua nova diretora artística Iracity acompanhada de Inês Bogéa como diretora artística adjunta, a largada ao início da São Paulo Companhia de Dança.

A nova companhia se dedicará "à exploração das formas clássicas, modernas e contemporâneas, num diálogo constante entre o passado e o presente", contará com uma montagem prevista para o mês de agosto descrita como: "uma história da dança em movimento", e a estréia de um trabalho inédito previsto para o mês de novembro. Para isso serão contratados até 40 bailarinos que serão selecionados através de análise de currículo e audição com aula de técnica clássica (incluindo sapatilhas de ponta para as mulheres) aprendizado de sequências de movimento de diferentes técnicas e a apresentação de um solo de até 2 minutos de livre escolha.

Além da citação acima e do longo texto encontrado no referido folder, os que ali estiveram presentes puderam contar com um breve discurso proferido por nosso governador. Dentre todas as exaltações feitas à dança, que contou com afirmações que não só declaravam seu amor especial por esta forma artística, como bem ilustrou recordando a todos que também sua esposa foi bailarina, colocou a dança como a arte prioritária tanto para seu governo como para a prefeitura de Gilberto Kassab. Pudemos contar também, com uma breve explicação justificando as razões deste declarado amor indo muito além da sua tão afirmada admiração por bailarinas e todas as suas louváveis características de beleza e disciplina.
Segundo José Serra, a dança, como disse um grego cujo nome não pôde ser recordado "é poesia muda", e por isso é uma arte tão bela. Além de sua importante função social de desenvolvimento da auto-estima, esclareceu também não ser daquele tipo de pessoa que acha que arte deva ter sempre uma "função" social, ela pode também estar livre disso, e pode ter apenas "o papel de algo gostoso de se desfrutar". E demonstrando seu conhecimento na área enfatizou que será neste belíssimo "pas-de-deux" - função social e entretenimento - somado à geração de empregos - se fosse um pouquinho mais escolado na arte do balé teria chamado de "pas-de-trois"- que "São Paulo vai dançar cada vez mais".


obs: a construção da cede da São Paulo Cia de Dança está incluso no projeto Nova Luz. Conincidência?

1 comentários:

bruno boaro disse...

Qualquer forma de arte, qualquer fenômeno artístico, só pode ser desvínculada, ou se "estar livre disso", da função social, se não for assistida e(/ou) nada representar. Além do mais, mais de 50 milhões de reais nUMA SÓ companhia não vai fazer todo mundo assistir dança! O que seria SOCIALmente ótimo, maravilhoso, ideal, mesmo não sendo essa questão essencial ou necessária. E não faria todo mundo assistir o que quer que seja em São Paulo City, em Gothan City (um pouco menor) ou em Iracity (menorzinha ainda). Mas não pediram minha opinião, a única chance que eu tenho de expressar qualquer coisa será se eu passar nas peneiras de seleção.
Agora, a dúvida maior ainda é o que o João Sayad quer dizer com preservar do clássico ao contemporâneo. Tá tudo feito? Fazer-se-á um grande museu de história natural e eu não to sabendo? Parece que sim, e com padrão firme.